Por um cinema negro no feminino

Em 2015, quando organizamos a conversa Construção e Desconstrução do Feminino no Cinema Brasileiro Contemporâneo, caminhávamos junto a uma crescente mobilização feminista. Naquele momento, Yasmin Thayná foi uma das convidadas a estar na mesa e, por compromissos que a levaram à África, infelizmente não pôde comparecer. Enviou-nos, no entanto, uma carta para representá-la, que foi lida durante o encontro.

Nela, uma colocação direta como pouco se vê: Yasmin relatava que, ao pesquisar sobre os realizadores e realizadoras da 7ª edição do festival, ficara feliz ao perceber o filme de André Novais de Oliveira na abertura. No entanto, ao passar foto a foto, ficava claro que não havia ali um filme sequer dirigido por uma pessoa negra e mulher. Não sugeria que a seleção do festival fosse feita a partir de fotos, mas sim que todos e todas parassem para refletir sobre a questão, e se perguntassem o porquê desse estado das coisas.

Desde então, esteve em pauta no festival o desejo de responder à provocação de Thayná com a reflexão que ela propôs. Foi mais que feliz poder, então, contar com a programação Com Mulheres, apresentada pelo CachoeiraDoc na Semana deste ano, para começarmos a contemplar essa discussão.

Por um Cinema Negro no Feminino foi o título do programa que Janaína Oliveira, pesquisadora de cinema negro, levou à Bahia. Yasmin, que teve seu Kbela exibido no programa, participou também como curadora, apresentando Amor maldito, filme que Adélia Sampaio lançou em 1984 e que lhe confere o título de primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil.

Pois é a partir do encontro destas três que, após a exibição dos filmes de Yasmin e Adélia, nos abriremos a esta questão estrutural, essencial e urgente.

Serviço
27/11 DOMINGO às 17H45
Local: Espaço Itaú de Cinema – Praia de Botafogo, 316